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quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Joaquim de Aruanda - "EUTANÁSIA"


Participante: o Espiritismo condena a eutanásia, por entender que não temos o direito de interromper uma vida, seja em que circunstância for. No entanto, com o avanço da tecnologia na medicina, temos hoje situações em que os médicos afirmam categoricamente que o paciente não tem mais condições de sobreviver sem as máquinas, até porque sua atividade sua cerebral está completamente zerada. Ou seja, esse paciente estaria tecnicamente morto, tendo sua atividade metabólica sustentada apenas por aparelhos.Pergunto, então, como podemos decidir, sem problemas de consciência, qual o momento certo para autorizar o desligamento dos aparelhos? Como saber com certeza que não estamos interrompendo uma prova ou uma expiação?Se optamos por não desligar em condição alguma, como ter certeza de que não estaríamos ocupando o lugar de alguém que precisa mais daquele leito do que uma pessoa que já está tecnicamente morta?Levando em consideração que diversas narrativas de EQM (experiência de quase morte) demonstram claramente que um espírito tecnicamente desencarnado pode retornar ao seu corpo e retomar sua vida física, gostaria de saber em que ponto estaríamos realmente cometendo eutanásia.

Joaquim de Aruanda: A pergunta em pauta inicia-se com uma afirmação: “O Espiritismo condena…” O espiritismo como ciência, filosofia e religião baseada nos ensinamentos do Mestre Jesus Cristo não poderia “condenar” qualquer atitude, pois não foi este o ensinamento deixado por nosso Irmão Maior.

Os praticantes do espiritismo podem, por sua livre interpretação, condenarem atitudes, mas que não utilizem os ensinamentos maiores como tábuas de lei para avocar o direito de se colocarem na posição de juízes das atitudes alheias.

Todos os ensinamentos que compõem a doutrina espírita foram trazidos ao planeta Terra como auxiliares no desenvolvimento da fé ensinada por Jesus Cristo e, por este motivo, não podem feri-la. Se o Mestre não acusou aquela que quebrou a lei na célebre passagem do “atirar a primeira pedra”, o espiritismo como intérprete destes ensinamentos, também não poderia ser o primeiro a atirar a pedra.

Na verdade, esta informação como base doutrinária nada mais é do que a “visão” de alguns participantes que se julgam mais realistas do que a própria verdade e procuram, em nome de falsos louvores a Deus, exercer uma patrulha ideológica a atitudes, o que o próprio espiritismo veio para combater. Como filosofia e ciência, o espiritismo veio trazer informações técnicas para melhor explicar os ensinamentos de Jesus Cristo e não se contrapor a eles.

Ao afirmar que o Espiritismo condena a eutanásia, os espíritas fogem do próprio texto da Codificação Espírita.

853 a – Assim, qualquer que seja o perigo que nos ameace, não morreremos se a hora não é chegada? Não, tu não perecerás, e disso tens milhares de exemplos. Mas, quando é chegada a tua hora de partir, nada pode subtrair-te dela. Deus sabe, antecipadamente, de qual gênero de morte partirás daqui e, frequentemente, teu Espírito o sabe também, porque isso lhe é revelado quando faz a escolha de tal ou tal existência.

Se a obra que fundamenta toda a ciência, filosofia e religião espírita afirma que o espírito na carne sempre desencarnará na hora prevista e de uma forma pré-determinada, jamais poderá o homem alterar esta programação.

O simples fato de serem desligados os aparelhos que mantém a vida em situação artificial ou ainda “antecipar” o fim para minorar o sofrimento, não pode ser considerada uma fatalidade, mas nada mais do que o cumprimento dos planos traçados por Deus para aquele espírito. Como ensinado na resposta em epígrafe, não será o ato que determinará o fim da encarnação porque o ser humano jamais “morrerá antes da hora”, “e disso tens milhares de exemplos”.

Aquele que conseguir desencarnar por ato alheio (eutanásia) estará apenas cumprindo os desígnios do Pai para aquela encarnação. Portanto, respondendo ao resto da pergunta, aquele que estiver na situação da decisão de desligar ou não os aparelhos, não deve se preocupar se o que está fazendo é “certo” ou “errado”.

Para que o desígnio de Deus seja cumprido, terá o Pai que determinar o ato ou não. Esta comunicação de Deus com os espíritos se dá através da “intuição”, como também foi trazido à luz pelo próprio Espiritismo que a rejeita (pergunta 525 e comentários) como direcionamento para os atos. Na prática, esta intuição se sente através dos sentimentos.

Portanto, respondendo à pergunta formulada, digo àqueles que estão vivenciando um caso onde devem tomar a decisão de desligar ou não aparelhos que mantenham a “vida” de um ser humano, que tomem esta decisão baseando-se no seu “coração”. Posteriormente, não se preocupem com o ato tomado, pois o aparelho só será desligado ou não, a morte só virá ou não, como consequência de uma programação anterior de Deus e nunca do ato praticado pelo homem.

Para aqueles que não se encontram neste dilema, mas que tomam conhecimento de fatos desta natureza, meu conselho é de que aprendam as verdades do universo e sigam os ensinamentos do Mestre e não sejam os primeiros a atirar a pedra.

Joaquim de Aruanda


Canal: Firmino Leite
Fonte: C.E.U

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Pai Joaquim de Aruanda - "Bem Zen"


A humanidade elegeu nesse início de século a “qualidade de vida” como necessidade básica para a existência. Todas as “coisas” estão sendo relacionadas a essa qualidade para se transformarem em objetos das ações humanas. Em um mundo onde o stress, a correria e o sofrimento imperam, o ser humano pretende colocar a paz, a felicidade e a harmonia como objetivos para alcançar o “bem-estar”.

Nesse texto, procuraremos auxiliar os seres humanos nessa busca. Para isso enfatizaremos a cultura ocidental, tendo em vista que, a partir do final da segunda guerra mundial a globalização impôs essa cultura como básica para o planeta, afetando também a povos orientais.

Há um enfoque na humanidade que compromete o resultado do conhecimento das culturas: analisá-las a partir de fatos históricos. A compreensão dos fatos não se pode basear nas ações executadas durante a sua realização, pois essas ações são frutos de “pensamentos”. Um ato é apenas a materialização de um pensamento. Portanto, para se compreender um fato corretamente, é necessário conhecer a “cultura” ou “base de raciocínio” do povo que o gera.

Recentemente a humanidade vivenciou uma situação que espelha essa verdade. Para a existência da guerra do Afeganistão, entre outros motivos, foi criada a idéia da libertação das mulheres daquele país das rígidas regras “machistas” da cultura islâmica. Houve a guerra, aconteceu a “libertação” e, no entanto, milhares de mulheres daquele país continuam a utilizar a vestimenta que serviu como um dos pretextos para a guerra.

Isso porque, de acordo com a “cultura” das mulheres do Afeganistão o uso dessas vestimentas é “certo” e “bom”, por isso traz felicidade a elas. A idéia da “liberdade”, que acabou não sendo alcançada apesar da vitória na guerra, surgiu daqueles que não usam esse tipo de roupa. Eles quiseram impor suas vontades (“errado” e “mal”) a partir de sua “cultura” e não levaram em consideração o desejo das “libertadas”. É como a velha história do escoteiro que se orgulha de ter praticado uma boa ação: auxiliou uma senhora a atravessar a rua. Acontece que ela não queria atravessá-la.

A partir dessa análise, podemos compreender que o “mal estar” (infelicidade) dos tempos modernos não existe por causa dos fatos, ou seja, nas ações que o ser humano pratica, mas sim na sua “cultura”. De nada adianta mudar-se os atos para que seja feliz sem que haja uma alteração cultural, uma conscientização de que o “mal estar” surge dos valores com os quais se vive.

No nosso exemplo da guerra do Afeganistão, o sofrimento das ocidentais era a felicidade das afegãs. Para que os ocidentais vivessem felizes com a existência daquelas roupas, era necessário que compreendessem a cultura afegã.

Para alcançar o bem-estar, muitos ocidentais estão buscando as alternativas utilizadas por aqueles que possuem a “cultura oriental”. Yoga, relaxamento, meditação, acupuntura, reiki, Feng-Shui e tantas outras técnicas de se alcançar à paz e a felicidade como estado de espírito está na “moda”. Poucos, entretanto, conseguem o sucesso esperado com esses tratamentos.

Isso ocorre porque todas essas técnicas não são a causa da paz e da felicidade dos orientais, mas apenas caminhos para auxiliá-los na prática de atos. O que leva alguns orientais a atingirem um estado de espírito que reflita o bem-estar almejado pelos ocidentais não são as técnicas, mas a cultura oriental. Portanto, além da utilização de “métodos orientais” é necessário que os ocidentais também vivenciem a sua existência com os valores da “cultura oriental” para promoverem o seu bem-estar.

Uma cultura não pode ser representada por objetos materiais. Estas coisas também são instrumentos da cultura. A vivência com a cultura oriental que falamos, portanto, não é a utilização de talismãs ou símbolos orientais, nem será alcançada trajando-se ou habitando semelhante aos orientais. De nada adianta o ocidental trajar-se à moda oriental nem utilizar “mandalas”. É preciso se atacar o mal pela raiz. Enquanto a raiz do mal-estar estiver nutrindo o ser humano, o bem-estar não será alcançado.

A “raiz” de uma cultura é os valores que determinam os objetivos de vida dos povos. A cultura ocidental é formada sobre a base da realização material ou a busca do prazer. O homem ocidental acredita que, para ser feliz, é preciso que todos os seus desejos sejam realizados.

Assim, se sonha em possuir uma casa, um automóvel ou uma determinada pessoa (conquista amorosa), o ser humano que vive na cultura ocidental condiciona o seu bem-estar à posse dos elementos desejados. Esses elementos transformam-se em objetivo de vida e todas as ações são guiadas por esse sentido.

Entretanto, mesmo quando conseguem alcançar o objetivo, não são felizes, pois um novo objeto do desejo aparece rapidamente. A felicidade novamente será adiada por esse novo condicionamento. Quando o ser humano ocidental “põe a mão” no objeto do desejo, a felicidade escorrer por entre os seus dedos.

Quando consegue uma “casinha” própria já quer fazer mais um quarto ou construir uma suíte. Se o objetivo era um carro, sempre haverá um modelo mais moderno, mais possante ou bonito para ser desejado. O relacionamento que surgiu da conquista amorosa não é tão excitante quanto à perspectiva de nova conquista.

Isso ocorre porque uma cultura não é feita de valores materiais, como já dissemos, mas sim da forma como se “encara” a realidade (coisas materiais). A cultura não é determinada pelos seus objetos de consumo, mas pelos “valores da existência” que o ser humano possui.

No ocidente os seres humanos possuem quatro valores que norteiam a sua existência. São os reais objetivos das ações daqueles que vivem com a cultura ocidental.

A busca por “ganhar” e o medo de “perder” é o primeiro valor utilizado pelos seres ocidentais em todas as suas ações. Quando deseja um objeto, na verdade não o quer, mas seu objetivo é vencer a “competição” para possuí-lo. Todos os outros seres humanos são seus competidores em uma louca corrida pela posse do objeto.

A felicidade do ser humano ocidental nasce da vitória na competição e não da posse do objeto. Por isso, tão logo vença uma “corrida” propõe-se logo outra (outro desejo), para conquistar nova vitória para ser feliz.

Alcançar o primeiro lugar é o que satisfaz o ocidental. Segundo ou último lugar para ele é a mesma coisa, pois não trouxeram a vitória, condição básica para a felicidade. Qualquer outra posição que não o lugar mais alto do podium é perda, ou seja, motivo de insatisfação. Por esse motivo tem medo de perder.

Se ganhar e não perder é o primeiro objetivo do ser humano ocidental, o segundo é alcançar a satisfação e fugir das insatisfações. A satisfação é uma sensação fugaz e temporal à qual o ser humano se submete como felicidade porque seu primeiro objetivo existencial é ganhar, estar sempre certo. É por causa do seu primeiro objetivo de vida que o ser humano não permanece feliz com as vitórias alcançadas e sempre se propõe um novo desafio.

O elogio é a prova da vitória e, por isso, se transforma no terceiro objetivo da existência do ser humano ocidental. Busca constantemente a aprovação de todos como prova de suas vitórias constantes. Ele tem pavor das críticas, pois elas espelham as suas derrotas.

A vitória também traz a fama, quarto objetivo da existência humana sob a cultura ocidental. Ela demonstra o status de ganhador do ser humano e dá satisfação a ele. Quando se transforma em um perdedor (não consegue vencer a corrida pela posse das coisas) o ser humano ocidental se considera difamado. Por isso, tem medo da infâmia.

Esses quatro elementos (ganhar, satisfazer-se, receber elogios e alcançar a fama) são à base da cultura ocidental, ou seja, o objetivo dos seres humanos que vivem sob a tutela dessa cultura. Para esses, o bem-estar depende de que esses elementos estejam presentes em cada acontecimento.

Pela prática da vida (fatos históricos) durante os séculos, está provado que essas condições não podem existir constantemente. Um ser humano não pode ganhar sempre para se satisfazer, pois isso geraria bilhões de seres infelizes. Essa insatisfação global acabaria por aniquilar a satisfação de quem ganhou. É necessário que haja a alternância na vitória para ocorrer a felicidade.

A felicidade (bem-estar) do ser humano tem que ser alcançada com o equilíbrio das coisas. Ficar feliz quando “vencer” e não a perder quando outro alguém conseguir superá-lo: aí está o verdadeiro bem-estar. Combater o mal-estar (a sensação de perda) apenas com técnicas e objetos é impossível. É preciso aniquilar a dependência dos elementos básicos da cultura ocidental para que todos os momentos se transformem em motivo de felicidade.

A ausência desses fatores que determinam a condição para ser feliz faz parte da real cultura oriental. Falo em “real” e não da atual cultura oriental, porque essa é vítima da globalização imposta pela cultura ocidental. Com o fim da segunda guerra mundial os fatos (vitória aliada) impuseram aos seres humanos orientais os fatores da cultura ocidental. Não foram exportados só objetos materiais para o oriente, mas também os objetivos existenciais. Com isso, grande parte dos orientais alterou o seu modo de viver.

As técnicas e símbolos orientais servem apenas de instrumento para atingir à vivificação com os valores da real cultura oriental. A Yoga e todas as outras técnicas citadas não faz o ser humano ganhar, atingindo seus objetivos materiais, mas ensina-o a conviver feliz com a perda.

Ajuda na compreensão de que a felicidade de ter participado da disputa (estar vivo) já é motivo para ser feliz. Não cria elogios, mas ensina o ser humano a utilizar a crítica para o aperfeiçoamento; mostra que a pessoa que passa por uma infâmia deve manter-se feliz, pois lhe foi dada uma nova chance de reabilitação.

O ser que vive com os valores orientais, como a Fênix, renasce das situações contrárias (perdas) aos seus desejos, porque não sofre com elas. Utiliza-as como um trampolim para a evolução. Todas as técnicas são instrumentos nesse sentido.

Já aquele que vive sob a tutela da cultura ocidental preocupa-se em ganhar para ser feliz. Daí nasce o stress. Quando não vence, aprofunda-se na depressão porque não entende a linguagem universal (acontecimentos).

O universo não age para derrotar os seres, mas para ensiná-los a vencer realmente.  Quando os acontecimentos não permitem que apenas uma pessoa se satisfaça constantemente ensina-os a viver feliz com o que possui: essa é a grande vitória da vida e traz o bem-estar constante, qualidade de vida procurada pelo ser.

Para auxiliar o ser humano a alcançar essa consciência é que existem as técnicas e amuletos ocidentais. Todos são meios de renascimento e não instrumentos de satisfação. Auxiliam a viver e não a alcançar objetivos materiais.

Por isso, para se estar “bem zen”, alcançando o bem-estar permanente, é necessário não só se praticar as técnicas orientais, mas alterar os objetivos da existência.


Canal: Firmino Leite
Fonte: C.E.U


sábado, 3 de maio de 2014

Pai Joaquim de Aruanda - "Deus"


O que é Deus?

Há milhares de anos entre os seres humanos existe a procura para descobrir o que é Deus. A resposta talvez seja muito mais fácil do que se pode imaginar: Deus é apenas uma palavra. Juntando-se as letras “d”, “e”, “u” e “s”, se tem a palavra Deus.

Uma palavra é apenas uma “faculdade de expressar idéias por meio de sons articulados” (Mini Dicionário Aurélio – 3a. Edição). Sendo assim, Deus é apenas uma idéia.

O importante na procura de quem é Deus não é a escolha da palavra utilizada, mas sim da idéia que se quer expressar através desta. Outras palavras podem ser utilizadas para expressar a mesma idéia (sinônimos), como por exemplo: Jeová, Alá, natureza etc. O importante na busca da compreensão de Deus não é a palavra que é utilizada para defini-lo, mas qual a idéia que se tem Dele.

Por isto, existe o conhecimento popular que afirma que existe um Deus diferente para cada ser humano. Isto ocorre porque cada espírito, dentro do seu processo evolucional, tem uma idéia sobre Deus, ou seja, apesar de todos utilizarem a mesma palavra, cada um está expondo uma idéia diferente.

Cada ser humano utiliza, portanto, os seus conceitos para formar a idéia do que é Deus. Como ensinado pelo Espiritualismo Ecumênico Universal, as concepções formadas com utilização de conceitos individuais não podem ser uma “Verdade Universal”, mas sim particular. Por este motivo, nesta busca de se definir Deus, precisamos utilizar como parâmetros as informações passadas pelos seus enviados, os Mestres da humanidade, uma vez que eles não se utilizaram de conceitos e agiram em nome do Pai.

Todos os Mestres foram unânimes em afirmar que Deus é a Causa Primária de todas as Coisas: Jesus nos disse que não cai uma folha da árvore sem que o Pai a faça cair; na primeira pergunta do “Livro dos Espíritos” a resposta dada pela espiritualidade é exatamente o termo que usamos acima; Maomé recitou que o anjo Gabriel lhe havia dito que tudo está escrito e nada acontece sem que Deus presida a execução. Mesmo Buda, cujos ensinamentos não contemplam a palavra Deus, afirmou que o Universo é regido por uma força comandante superior.

Portanto, abortando os conceitos humanos, temos que entender como “Verdade Universal” que Deus é a Causa Primária de todas as coisas. Este tem que ser o ponto de partida para a idéia que se expressa ao se articular a palavra “Deus”.

O ser humano possui diversos “deuses” (causa primária) para os mais variados assuntos. Ele não vê esta Verdade Universal porque está preso às suas verdades conceituais. Para ele, Deus não está na Terra, mas preso no céu, de onde assiste o desenrolar da vida da humanidade, aguardando o seu retorno ao reino celeste para que Ele possa agir. O máximo que o ser humano aceita é que Deus venha até as igrejas ou templos, aonde vai para recorrer a Ele quando se acha impotente para causar o que quer.

Isto ocorre porque o ser humano imagina-se um “deus”, ou seja, o causador dos acontecimentos. Tudo que “faz” é causado por ele mesmo sem a menor intervenção do Pai Eterno. Se existem louros a serem recebidos, confere a si mesmo, mas também imputa a si mesmo as penas. Ele só recorre a Deus quando se sente incapaz de conquistar o que deseja. Nestes momentos, atribui a Deus o seu real sentido (Causa Primária) e pede a Sua intervenção para que ocorra o que ele quer.

Entretanto, o Ser que exerce a Causa Primária não pode fazê-lo sem que para isso tenha os atributos necessários. Somente Deus pode ser a Causa Primária das coisas, pois Ele tem as “qualidades” que lhe conferem esta posição. É por este motivo que o Espiritualismo Ecumênico Universal afirma que o ser humano não pode ser o “deus” de nenhum acontecimento da vida carnal.

Para que um ser possa causar as coisas, é necessário que ele comande com Perfeição. Uma organização só subsiste pela eternidade se não forem cometidos erros. Caso houvesse no Universo a possibilidade de falhas serem cometidas, o caos se instalaria, pois não poderia haver a “confiança” do caminho a ser seguido.

Deus é a Inteligência Suprema do Universo e por isso causa todos os acontecimentos com Perfeição. Ao espírito em evolução não pode ser atribuída esta função, pois ele carece de informações sobre todas as coisas universais para não cometer erros. Por isto, Deus tem que ser onipresente e onisciente, ou seja, tem que estar em todos os lugares e saber de tudo o que ocorre para comandar os acontecimentos sem falhas. Além disso, Ele tem de ser Único, porque se houvesse dois deuses um se sobreporia ao outro em superioridade de inteligência.

Aquele que possui a Inteligência Suprema certamente comanda as coisas com justiça, ou seja, dá a cada um o exato que merece. Deus é a Justiça Perfeita, pois aplica com perfeição as causas do universo, dando estritamente o merecido a cada espírito. Para que esta justiça seja alcançada é necessário que Ele seja Imutável, não tenha dois pesos e duas medidas. O espírito em evolução, pela mesma carência de informações, certamente causaria injustiças, pois não possui todas as informações sobre as coisas universais.

No entanto, as causas não podem ser aplicadas como “penalidades” ou “castigo”. Acreditar em um Deus assim é aceitar a idéia de um Pai sádico, que não ama seus filhos, mas sim que busca castigá-los por não cumprirem suas determinações. Para poder aplicar as causas com Perfeição e Justiça, é necessário que a fonte delas seja amorosa. Por isto, Deus é o Amor Sublime do Universo. Não um Ser que perdoa tudo indiscriminadamente, pois isto não seria justo, mas um Pai que aplica um castigo com a única intenção de ensinar ao filho. A causa de todos os acontecimentos universais tem como base a elevação espiritual e não a punição de culpados.

Deus não causa as coisas com base em “vingança” ou “ajustes de contas”, mas tão somente para que o filho compreenda o sofrimento que causa em outros quando age daquela determinada forma e, com isto, não mais aja desta maneira. É o chamado “lenitivo da dor”. O espírito em evolução ainda possui a intenção de se “vingar” daquele que lhe causou dano, por isto não pode ser causador das coisas. Se ele fosse a causa das coisas, estaria apenas buscando o sofrimento alheio como reparo ao seu e não aplicando um ensinamento.

Por todos estes motivos é que Deus tem de ser o Todo-Poderoso, ou seja, ser o causador de todas as coisas universais, é Dele o comando do Universo, não como um exercício ditatorial, mas porque Ele possui os atributos necessários para isto.

Portanto, não importa com que letras se compõe o nome, mas tudo aquilo que for a causa primária dos acontecimentos de sua vida, será o seu Deus.


Canal: Firmino Leite
Fonte: C.E.U


sexta-feira, 2 de maio de 2014

Pai Joaquim de Aruanda - "Fé"


Porque o Evangelho mostra que Deus nos aceita por meio da fé, do começo ao fim. Como dizem as Escrituras Sagradas: “Viverá aquele que, por meio da fé é aceito por Deus”. (Capítulo 1 – versículo 17).

Tem me sido perguntado constantemente por que Deus não fez todos os espíritos já prontos, com a ciência e a pureza necessária. Essa ação de Deus evitaria a necessidade de todo o processo da evolução ao qual o espírito se submete durante a sua evolução. Mas, se assim fosse, não haveria o exercício da fé.

A vida é um constante executar provas: provar que se é capaz de viver com o amor universal a cada acontecimento, vencendo, dessa forma, os desejos individualistas. Mas, ninguém consegue essa vivência sem fé. O que é fé? Entrega com confiança total.

Eu poderia dizer que a fé está acima da lógica. Fé e lógica não caminham passo a passo porque o exercício da fé é vencer a lógica e se entregar com confiança mesmo onde ela não é contemplada. É essa submissão ao desconhecido sem medo que valoriza a vida carnal, no sentido espiritual.

Para entendermos a fé, vou contar uma história. Conta-se que um alpinista certa vez despencou da montanha em plena noite, indo parar dependurado sobre o vazio seguro apenas por uma corda. Como era noite, ele não podia ver o que estava abaixo de seus pés e, por isso, não sabia se o chão estava próximo ou muito longe.

Desesperado orou ao Pai pedindo socorro e ouviu uma voz que disse: “largue a corda”. No outro dia esse alpinista foi encontrado morto por uma equipe de socorro seguro na corda, a menos de um metro do chão…

A fé é soltar a corda e entregar-se confiantemente no Pai.

Deus dá a cada um de acordo com a sua fé, de acordo com a sua capacidade de vencer a lógica que lhe ditaria logicamente um resultado. O exercício da fé é o trabalho para acabar com a espera de um resultado óbvio, amando a qualquer efeito que aconteça como reação a uma ação.

Viver com fé é o resultado da não espera que nada aconteça, da não previsão de resultados para os acontecimentos da vida. É um exercício de se tirar completamente toda intenção individualista da ação. Por que quem tem fé só possui uma intenção: servir a Deus e ao próximo e deixar o Pai guiar a sua vida.

A fé está muito longe da religião, da religiosidade. A fé é utilizada na vida, no vivenciar a vida vivendo para Deus.

É isso que precisa ficar claro, por que quando vocês me perguntam por que Deus não fez tudo já pronto, estão raciocinando dentro da sua lógica material que afirma que o importante é completar o trabalho. Mas, essa lógica não gera o merecimento porque o espírito não mereceria nada, não teria conquistado nada.

É no caminhar (viver as encarnações) lutando contra si mesmo (as verdades egoístas gerada pelo ego) com a espada da fé que está a realização da vida espiritual. Chegar a algum ponto é apenas uma conseqüência e não um objetivo.

A fé é o fator de separação através do merecimento. A fé, a vida com fé, gera o diferencial entre os seres.

Muito se fala no nível de elevação espiritual, o que é isso senão a capacidade de vivenciar a existência com fé? Quanto mais elevado um espírito, mais ele vivencia a fé e menos vivencia a lógica material. Quanto mais materializado o espírito mais ele vivencia a lógica material e menos vivencia a fé.

Então, a fé é o diferencial que gera a escala de elevação espiritual. Por isso Paulo diz que Deus aceita os espíritos pela fé que exercem.


Canal: Firmino Leite
Fonte: C.E.U



Pai Joaquim de Aruanda - "Culpabilidade nos Assassinatos"


Dentro da doutrina Espiritualista Ecumênica aquele que pratica um assassinato não pode ser considerado “culpado”. Se Deus comanda o ato do assassinato, como pode Ele então julgar alguém culpado? Culpado de que: de fazer o que Deus acha Justo e Amoroso?

Essa forma de visão das coisas é apenas um desenvolvimento de todos os ensinamentos trazidos pelos mestres enviados por Deus. Não foi o próprio Jesus Cristo que pediu ao Pai que perdoasse os seus algozes porque não sabiam o que estavam fazendo?

Deus não culpa ninguém por assassinar o outro, mas transforma em “assassino” aquele que possui a “culpa” de quebrar o equilíbrio universal, ou seja, negativar o positivismo universal, individualizar o todo.

Isso também não quer dizer que acabar com a encarnação de outro pode considerado um ato “normal”, “corriqueiro”, a que todos estão sujeitos. É preciso se compreender bem o ensinamento para que não pairem dúvidas sobre o assunto.

Existem duas visões que podem ser aplicadas ao desencarne por meio de um ato violento: carma positivo ou negativo. O primeiro é pedido pelo próprio ser como um “merecimento” enquanto que o segundo é uma conseqüência por falências de provas.

O carma positivo é sempre gerado pelo aproveitamento das oportunidades que Deus concede ao espírito durante a encarnação (ver “Talismã”). Assim, um ser pode “pedir” durante a confecção do seu “livro da vida” que, conseguindo reagir positivamente as vicissitudes de sua existência, ela se extinga por meio de um assassinato.

Para que isso aconteça necessário é que haja um instrumento, alguém que materialize o planejado. Esse ser é escolhido pelo próprio espírito que será assassinado e quem provoca aceita por amor. Nesse caso, Deus não está penalizando quem pratica, mas orquestrando o planejamento dos seres. Quando, por qualquer meio de ação, um ser acaba com a existência carnal de um espírito, com essa motivação, não pode ser considerado um assassino. São seres que, por fundamentos positivos (amor), se transformam em instrumento de aplicação da lei da ação e reação.

Mas, o desencarne por assassinato pode não ser a primeira escolha do espírito que irá desencarnar. Essa forma de “morte” só será escolhida preferencialmente se, de alguma forma, contribuir para a elevação de quem vai passar pela situação. No entanto, ela pode também ser optada de forma secundária.

Não exista apenas um momento ou uma forma de “morte” na existência carnal de um ser. A lei da ação e reação nos deixa antever essa verdade absoluta. Quando o ser planeja a sua existência sempre prevê situações para a ação universalista e individualista.

Assim, o desencarne por meio violento pode ser programado como merecimento positivo, e nesse caso se transformará em primeira opção, mas também pode ser programado como merecimento negativo. Nessa hipótese não se trata de planejamento preferencial, mas de opção para amenizar as ações negativas.

Por não crer na falência de suas provas, o espírito dificilmente acerta antes da encarnação um instrumento para essa hipótese. Por isso, quando necessário utilizar essa hipótese, Deus terá que providenciar um instrumento. É nesse caso que entram aqueles merecem passar pelas situações conseqüentes de um assassinato.

Os merecedores de ser aprisionado, passar por humilhações na mão da polícia e da sociedade (resultados materiais do assassinato), são aqueles que pediram isso como opção de acordo com o resultado de suas provas. São espíritos que deveriam “vencer” algumas tentações (situações de vida) e não conseguiram.

É por esse motivo que se transformaram em assassinos daqueles que precisavam ser assassinados. Portanto, eles não podem ser acusados pelo ato, que na verdade é conseqüência, mas pela ação espiritual (escolha de sentimentos) que foi a causa do acontecimento.

Baseado nessas verdades absolutas é que afirmamos no início desse trabalho que Deus não pune o assassino, mas transforma aqueles que não venceram as suas provas em assassino. Com base nessa verdade, a penalização material daqueles que praticaram o ato deve mudar.

O assassino precisa passar por situações conseqüências de seus atos, mas não precisam de outras penas. Não precisam da acusação, da crítica, do desprezo ou do ódio. Esses sentimentos apenas aumentarão as suas penas. Devem ser tratados como Jesus nos ensinou a tratar a todos: com amor.

Não são transgressores da lei material, mas, antes de tudo, transgressores da lei divina. É por essa base legal que devem receber a sua “culpa”. Não se tratam de criminosos, assassinos ou monstros, mas de ovelhas perdidas do rebanho do Pai.

Para aplicarmos a eles a pena que merecem temos que lembrar a parábola da ovelha perdida. O pastor abandona tudo (suas convicções e certezas) e parte na busca dessa ovelha. Quando a encontra afirma: amo-lhe mais do que as outras.


Canal: Firmino Leite
Fonte: C.E.U


quinta-feira, 1 de maio de 2014

Pai Joaquim de Aruanda - "Culpabilidade no Aborto"


O aborto é crime: assim pensam os seres humanos. Mas, Deus já mandou avisar que existe o carma. Todos os seres devem expiar atos passados em que ofenderam o todo universal. Portanto, não será justo que aqueles que um dia abortaram um futuro ser humano passem pela mesma situação?

E quando essa lei universal (ação e reação) acontecer, o instrumento dela será penalizado? Se um dia você abortou e Deus (todo universal) decretou que precisa agora passar por esse mesmo processo, o ser humano que servir de instrumento à Justiça Perfeita e ao Amor Sublime deverá ser penalizado? 

Receberá uma pena porque está fazendo um “favor” para aquele espírito servindo de instrumento para auxilia-lo a alcançar a perfeição, passando por suas vicissitudes?

É a não compreensão do aborto como ato movido pela lei da ação e reação que gera a culpabilidade e arrasta a necessidade do comando de Deus para o ato abortivo durante os séculos de encarnação. Somente o perdão pode acabar com a lei da ação e reação.

Quando o ser entender que o espírito abortado precisava e merecia passar por aquela situação, acabar-se-ão as acusações. Só então nascerá o perdão (não apontar erros em atos). Com isso, o ciclo da ação e reação estará quebrado. Enquanto permanecer o julgamento e a acusação, o ciclo terá que continuar para que se dê a cada um de acordo com suas obras.

A acusação é gerada por aquele que não entende o universo. O autor do ato abortivo merece e precisa passar por essa situação, mas não deve nascer daí a acusação. Ela só deveria existir se quem recebe o ato (é abortado) fosse um inocente.

No entanto, isso não existe. O espírito encarnado não poderia abortar alguém que não precisasse ser abortado, porque senão seria o supremo comandante do universo, aplicando a sua justiça e o amor a si mesmo.

Não existe bebê ou criança dentro da concepção que o ser humano dá a essa etapa da encarnação. O fruto do ventre materno é um espírito velho, que já encarnou em diversas existências onde, por seu individualismo, causou danos ao todo universal. É justo e único meio de atingir a perfeição, que agora passe por ações individualistas. Não com a finalidade de sofrer, mas para alcançar a compreensão de suas ações anteriores.

Se o bebê fosse essa pureza e ingenuidade que o ser humano imagina, se trataria de um espírito elevado. Jamais seria capaz de acusar ao próximo pelo que fizesse, pois possui toda a universalidade necessária para compreender a ação de Deus. Além disso, conheceria, como todo espírito conhece, a “história” de sua encarnação e já conheceria de antemão o ato abortivo que teria que passar.

No primeiro caso o aborto seria um carma negativo, ou seja, uma expiação de atos passados. Já no segundo (espírito elevado que se oferece para passar por situações como missão), o aborto se trataria de um carma positivo.

O carma positivo e negativo pode existir não só no ser que está sendo abortado, mas também em quem está praticando o aborto. Por amor um espírito pode “pedir” para ser o instrumento daquele que precisa e merece passar por esse ato. Nesse caso, o ato originou-se em um carma positivo para quem fez e negativo para quem foi abortado.

Você sabe se a pessoa que praticou o aborto o fez por carma positivo ou negativo? Então não julgue, acusando um e tendo “dó” do outro. Deixe que Deus, com sua Onisciência, advinda da sua Onipresença, aja com sua Onipotência para que o equilíbrio universal permaneça. Só Ele pode dar a cada um de acordo com as suas obras.

Para quem precisa e merece, a lembrança do ato e a culpa por sua prática permanecerão com quem fizer o aborto por carma negativo enquanto ele não compreender a ação de Deus (Causa Primária de todas as coisas com Inteligência Perfeita, Justiça Suprema e Amor Sublime).

O espírito que aceita vivenciar o ato abortivo como agente ativo ou passivo sem necessidade para a sua elevação espiritual, está realizando uma missão que auxiliará o outro a atingir a sua elevação. A “dó” ou “pena” de qualquer um dos envolvidos é um sentimento que desonra a missão do espírito, enquanto que a acusação é uma infração á interdependência universal.

Em nenhum caso há culpabilidade, mas participação de dois seres em um ato comandado por Deus para que um sirva de instrumento ao outro para a evolução. Dentro dessa compreensão, culpar quem? Se alguém se atrever a encontrar culpados, só poderá chegar a um: Deus. Alguém é capaz de dizer que Deus é “culpado”? Alguém possuirá conhecimento, justiça e amor capaz de acusar Deus?

Fica bem claro que não estamos fazendo apologia do aborto e nem que esse ensinamento seja “perigoso”, pois liberará a prática do aborto. Toda visão Espiritualista Ecumênica baseia-se na ação de Deus (Causa Primária de todas as coisas) e por isso não pode trazer as conseqüências que o ser humano quer imaginar.

Não será por causa dessas explicações que alguém conseguirá praticar um aborto sem que Deus comande a execução do ato, sem que todos os envolvidos (pais, família, amigos, feto) precisem e mereçam o ato.

Os ensinamentos que a espiritualidade traz são apenas instrumentos para que o ser humano possa alcançar a consciência crística, aprendendo a oferecer a outra face e a não condenar ou julgar seus semelhantes. Com a perfeita compressão do aborto dentro da verdade do universo (ação e reação), encerram-se as culpabilidades.

É o fim da crítica, da acusação e o início da compreensão do “motor” que move universo: a cada um de acordo com suas obras. Quem pratica o aborto não merece mais ser acusado, mas sim amado. Enquanto que a crítica aumentará sua carga energética negativa, o amor alterará os seus sentimentos. A partir daí o ser poderá não mais servir de instrumento para atos semelhantes.

Esse mesmo “motor” não deixará que o “criminoso” (quem praticou) fique “impune”. Continuará a sofrer às sanções discriminatórias que seus atos geraram por parte daqueles que assim desejarem, mas não mais reagirá acusando o outro de não compreende-lo. Cônscio de seu papel na “divina comédia humana” conseguirá manter a sua própria alegria quando acusado.


Canal: Firmino Leite
Fonte: C.E.U


Pai Joaquim de Aruanda - "Assistência ao Próximo"


Existem pessoas muito mais aptas para definir a assistência ao próximo do que eu ou você. Somos apenas reprodutores de ensinamentos passados por outros e, por isso, “beber na fonte” acho que é a maneira mais saudável para se iniciar uma conversa que visa abordar o tema da caridade.

Eu, por minha parte, acho que a melhor definição da caridade (assistência ao próximo) foi dada pelo Espírito da Verdade ao responder a Kardec: “benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas” (pergunta 886 do LE). Creio que estas frases encerram todas as citações que você fez além de também servirem de base para centenas de outras definições que conhecemos sobre o tema.

Mas, creio que apenas conhecer a definição sobre o que é assistir ao próximo não encerra o debate, pois a assistência é uma ação e, portanto, cercada de mais elementos. Ninguém assiste simplesmente, mas presta assistência a alguém e de alguma forma. É exatamente aí, para mim, que se inicia o problema da nossa ignorância (falta de conhecimento).

Todos aqueles que fazem da caridade uma bandeira de vida afirmam estar se comportando dentro dos preceitos fundamentais de tal ação, mas isto não é realidade. Para mim a caridade praticada no planeta Terra é “capenga” ou viciada, pois ela não avalia estes aspectos (quem e como) para a sua existência. Deixe-me expor um pouco mais a fundo esta posição.

A quem prestamos a assistência? Aos carentes materiais. Ninguém se preocupa com os abastados na hora de buscar assistir o próximo, mas apenas com aqueles que estão passando “necessidades”. Assistimos aos famintos, doentes, as crianças abandonadas e aos velhos nos asilos, mas esquecemos daqueles que tem o que comer, saúde e vivem integrados às comunidades cercados de “amigos”. Por que?

Porque nossa assistência é fundamentada em valores materiais. Para nós somente os que materialmente falando estão carentes precisam ser assistidos. Será que isso é verdade? Claro que não. A assistência deve ser direcionada a todos e não apenas àqueles que, a partir de nossos critérios, necessitam dela.

Porque não assistimos aos abastados? Porque imaginamos que eles não precisam. Afinal de contas, eles já têm tudo aquilo que dizemos que é necessário para a existência carnal, para que precisariam receber caridade? Será que isto é verdade?

Novamente é claro que não. Tanto o ter como a carência (não ter), são apenas provas para o espírito, ou seja, não são posses materiais, mas instrumentos de carma. Todos somos espíritos vivendo nossas provações e temos que nos apoiar mutuamente para  podermos superar nossas vicissitudes (alternância entre ter e não ter). O rico precisa tanto da assistência espiritual como o pobre, o com saúde precisa tanto da caridade como o doente, os acompanhados precisam, às vezes muito mais, do apoio do que aqueles que estão nos asilos e nos orfanatos, pois também estão vivendo uma etapa da vicissitude, que é o elemento da expiação em uma encarnação.

Você me dirá que também presta assistência aos abastados, que os ama, mas será que isso é real? Como posso provar que não prestamos assistência a todos, mas apenas àqueles que achamos que precisam de nossa ajuda? Verificando que não somos benevolentes, indulgentes e nem perdoamos sinceramente aqueles que tem posses dentro dos critérios materiais. Para os carentes temos sempre a palavra de apoio e carinho, mas para os abastados está sempre presente a crítica por não dividirem seus bens, por não auxiliarem o próximo. Onde a benevolência, a indulgência e o perdão a eles?

Na realidade aqueles que na nossa avaliação não precisam da caridade são os elementos que necessitam muito mais da nossa assistência (benevolência, indulgência e perdão) do que os carentes, pois estes são irmãos espirituais que estão afastados de Deus.

É muito mais fácil você ver, por exemplo, alguém que não tem o que comer estar em paz com Deus e com a vida do que aqueles que possuem muitas opções para escolher. Estes, pelo ilusório poder de imaginar que podem ter o que quiserem se deixam prender-se às paixões criadas pelo ego e sucumbem aos desejos, gerando o apego ao mundo material que, conforme todos os mestres ensinam, nos afasta de Deus. São, portanto, carentes, espiritualmente falando, e precisam de nossa assistência. Mas, por que não enxergamos isso? Porque estamos presos à ilusão fantasmagórica da vida.

Não assistimos o abastado porque para a assistência consideramos apenas os valores materiais e não os espirituais. Achamos que eles já tem tudo que se pode ter (bens materiais como condição financeira, subsistência, saúde, etc.). Na verdade não os assistimos porque ainda nos interessamos pela vida humana, porque queríamos ter tudo o que eles tem para nos sentirmos realizados.

Apesar de nos dizermos espiritualistas ainda achamos que a realização material (paz, saúde e felicidade fundamentadas no elemento material) é o que mais importa. Esquecemos que o que importa nesta vida é a realização espiritual e que o único bem que levamos dela é a capacidade de ser feliz incondicionalmente, que é o fruto do amor a todos e a tudo.

Tudo que é material acaba com a morte. A saúde, a prosperidade material e a felicidade embasada em posses materiais encerram-se com o desencarne. De volta ao mundo real o espírito vai viver outra realidade, outras necessidades. A saúde e a capacidade de prover o seu sustento não possuem mais valor algum para ele. Apenas o quanto formos felizes a partir da comunhão com Deus é o que importa para o espírito.

Portanto, de nada adianta buscarmos compreender o que é assistência enquanto a realizarmos apenas aos carentes materiais. Devemos primeiramente nos concentrarmos em nos tornamos aptos para assistir a todos. Mas, isto só conseguiremos quando perdermos o interesse pela realização material (ter alimento, saúde e prosperidade), ou seja, quando não mais tivermos como padrão de auto realização os valores humanos, mas apenas os espirituais.

Quando o fiel da balança para se determinar quem precisa de nossa assistência não for mais os “sonhos” materiais, mas apenas a realização espiritual em vida, poderemos, então voltar a pensar em assistir ao próximo. 

Enquanto isso, busquemos entender o ensinamento de Cristo (quem quiser ganhar a sua vida, a perderá) e lutar para se libertar dos nossos padrões que determinam aqueles que precisam de assistência e aqueles que já tem tudo o que poderiam ter.

Esta é a melhor assistência que podemos realmente prestar a qualquer irmão espiritual encarnado neste momento de nossa evolução espiritual.


Canal: Firmino Leite
Fonte: C.E.U